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Estilos de Jardins

As Transformações dos Jardins

19:18:00





A natureza tem o dom de encantar, surpreender e acalmar o ser humano, tente nem que seja por poucos minutos contemplar o que esta a seu alcance, mesmo que seja apenas um simples vasinho de flor e resgate essa fascinação que prende tão facilmente as crianças, mas que pode ser muito difícil aos adultos nos dias de hoje. E muitos pensam que jardim é apenas um simples espaço de ornamentação, mas não é, o jardim é um lugar criado de forma artística e sustentado por um modelo arquitetônico, no qual o homem descansa das atribulações da vida, a própria origem da palavra já carrega esse significado: ela deriva das expressões, em hebreu, "gan" (proteger, defender) e "éden" (prazer, delícia), ou seja, representa, de certa forma, a imagem de um mundo ideal e privativo - como a idealização do paraiso. 





Conhecendo a história do paisagismo se compreende a alternância dos estilos que formam a paisagem brasileira, sejam elas as influências artísticas ou arquitetônicas. A atividade paisagística no Brasil começou com a chegada de D. João VI, que trouxe uma série de engenheiros e artistas europeus responsáveis por implementar diversas alterações na paisagem do país. Foi por ordem do rei que se fundou o Real Horto, atualmente Jardim Botânico do Rio de Janeiro, lá se iniciou a reprodução de árvores para o plantio. Nesta época um dos paisagistas de maior influência foi o francês Auguste François Glaziou, adepto de duas tradições européias: inicialmente a francesa (caracterizada por linhas retas e formalismo) e, a partir do século 20, a inglesa (mais orgânica, romântica). Ele quem redesenhou os mais importantes jardins cariocas da época, como a Quinta da Boa Vista, o Campo de Sant' ana e o Passeio Público, que anteriormente tinha sido projetado por Mestre Valentin, recuperado por Glaziou durante o reinado de D. Pedro II. Como representante do estilo francês, esta o Jardim de Versalhes, na França e no Brasil um dos exemplos é o Pátio do Museu do Ipiranga, em São Paulo.



Somente no século XX a atividade paisagística no país foi mais consolidada, caracterizada, principalmente pela integração entre os ambientes de recreação, como play-grounds, quadras esportivas e piscinas. Também aumentou a preocupação com o espaço dos pedestres, com a busca por um modelo mais eficiente de circulação. A partir, desta época o estilo inglês é o que predomina, em oposição ao racionalismo francês e o exemplo mais claro desta mudança é o Parque do Ibirapuera, em São Paulo, que leva apenas alguns detalhes do estilo francês. Os jardins sinuosos surgiram quando os ingleses cansados do racionalismo francês, quase impossível de ser implantado sobre o relevo acidentado da ilha, resolveram adotar soluções orgânicas com ambientação naturalista, provavelmente influenciados pela pintura romântica de paisagens, pois nesta época esses profissionais começaram a olhar toda a natureza como um imenso jardim.






O estilo inglês significou uma busca à pureza e à inocência, como um resgate do meio ambiente e da natureza em todos os sentidos.
Já no fim de 1940, o californiano Church conciliou harmoniosamente formas curvilíneas e ziguezagueantes, demonstrando que ambas poderiam coexistir. Este estilo acabou influenciando gerações de profissionais, e marcou o equilibrio nas tendências da época, representadas pela sinuosidade, prescindindo, assim do geometrismo. Outro estilo que marcou o século XX foi o japonês, a partir dos anos de 1950. Esta estética caracteriza-se pelos jardins de areia rastelados, com rochas colocadas de maneira precisa e com vegetação organizada de forma arquitetônica. 







Os reducionistas jardins Zen, seguindo uma tradição milenar, são oferecidos à modernidade como modelos a serem absorvidos. As antigas abstrações, tranquilas e serenas, formadas por rochas, areias e troncos de madeira, agora são reunidas em conjuntos visuais com significados diferentes. O maior representante do nosso paisagismo foi Roberto Burle Marx, considerado também, um dos maiores do século XX. Foi pintor, escultor e designer de jóias. Foi homenageado com um parque em seu nome, em São Paulo em 1995. No espaço com cerca de 138 metros quadrados, ele preservou a área de mata atlântica do local, incluindo palmeiras, figueiras e outras espécies, todas devidamente identificadas com os nomes científicos e populares.






Antes de Burle Marx, o paisagismo brasileiro se baseava no uso de espécies européias na composição dos jardins, as quais eram trazidas por cônsules e membros da corte durante o império. A ruptura aconteceu quando o paisagista, seguindo os ideais propostos pelos artistas que participaram da Semana de Arte Moderna, em 1922, passou a valorizar as espécies brasileiras na projeção dos espaços. Além do parque que levou seu nome, outros locais projetados por ele foram: o Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro (1961), o jardim interno da sede da Unesco, em Paris França (1963), o jardim do Palácio do Itamaraty, em Brasília (1965), o canteiro central e o calçadão da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (1970).





Após Burle Marx, verificou-se a tendência mais contemporânea do paisagismo brasileiro: o ecologismo, a partir dos anos de 1980, e, principalmente a partir de 1990. Os princípios do desenvolvimento sustentável passaram a ser parâmetros essenciais para a arquitetura e o paisagismo, com a exigência de uma gestão sustentável. Alguns exemplos desta nova direção são o projeto Rio Cidade (anos 1990, na cidade do Rio de Janeiro), a nova orla de Salvador, alguns parques em Curitiba, jardins particulares e a praça Itália, em Porto Alegre. Atualmente, com o tema do meio ambiente em pauta, essa tendência é cada vez mais reforçada. Trabalhar o paisagismo considerando a beleza natural implica muito mais que recuperar os ambientes degradados ou preservar os naturais, significa também, o prazer de ter à disposição forças que modelam a própria vida e a convivência harmoniosa com a Natureza.






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